Chego em casa depois de um longo dia e só me restam energias para jantar algo leve e dar ao cérebro uma dose de conteúdo que não me faça pensar demais, ou seja, escolho um capítulo de Mad Men e desligo meu córtex imediatamente. Don Draper me deixa impressionado com a simplicidade com que seduz a uma de suas belas funcionárias com duas frases que, ditas por um mortal como eu não teriam tido tanta eficácia. Mas, sim, este capítulo sim que me faz pensar mais além já que há uma situação na agência Sterling Coopers que me lembra alguma coisa conhecida.

São os anos de juventude da TV e os primeiros spots começam a ser filmados. Entra em cena uma nova área na agência, a que é responsável pela compras de espaços neste recém-nascido canal de comunicação. Fazendo referência a esta época, Matt Nelson publica em Fast Company um artigo onde argumenta que a idade de ouro no mundo da publicidade não foi a época de Mad Men, e sim os momentos que estamos vivendo atualmente, onde as marcas perderam o controle da sua reputação, onde a mensagem dos consumidores se difunde sem que os departamentos de comunicação possam filtrá-la ou eliminá-la.

Estamos em um novo ambiente onde os impactos publicitários nas mídias sociais (mídias pagas) são difundidos pelos próprios usuários para toda a sua comunidade se estes consideram que tais mensagens agregam valor (mídias conseguidas). Os seres humanos tornaram-se nós conectados que servem de multiplicadores de impactos que nos próximos anos alcançarão uma cobertura semelhante a dos meios de comunicação mais tradicionais.

Novas maneiras de obter vinculação

Com isso em mente, como usuários nos tornamos mais ainda “nós” de comunicação. Facebook se move: no dia 29 de fevereiro fizeram sua primeira conferência de Marketing (FMC)  em Nova York. Apresentaram muitas novidades que mudam e que procuram melhorar a experiência de uso dos usuários sociais e a sua vinculação com marcas, anunciantes e produtores de conteúdo.

  • Reach Generator. campaign_id=250393211715997&creative=reach Um dos fatores diferenciais da atividade em Facebook (e incluímos aqui a publicidade) é a redistribuição. Uma página pode ter uma comunidade de x número de pessoas. Se a comunidade está vinculada e os fãs interagem com o conteúdo, multiplicam as mensagens. O alcance se multiplica. Em muitos projetos – da ordem de 1.000 x e 10.000 x usuários – estão em contato com nosso conteúdo graças à menção de um usuário que também faz parte de sua comunidade. Facebook trata de favorecer isso com um conceito simples, o conteúdo que mais interessa a sua comunidade de forma natural pode ser usado diretamente para a criação de campanhas.
  • Premium & Market Place Ads.  Com o objetivo de aumentar essa vinculação. Facebook optimizou seu sistema de gestão de campanhas para poder compartilhar com seus usuários o conteúdo que melhor funciona, que maior vinculação gera no seu sistema publicitário. Podemos relacionar esse conteúdo com histórias patrocinadas. Podemos mostrar o conteúdo relacionado às interações de amigos. Por exemplo, se o meu amigo dá um “curtir” num artigo, eu serei capaz de ver este artigo (vídeo, compartilhamento, uso de aplicativo…) diretamente na publicidade que visualizo. O objetivo é criar contexto, não ser intrusivo. “A publicidade torna-se informação quando está onde e quando a necessitamos.”

E depois?

O relacionamento é o que acontece após o clique (se falamos de contextos publicitários). Para isso, Facebook apresentou a possibilidade de utilizar sua app para extrair informações do que acontece entre o seu conteúdo e os usuários que chegam a ele através de campanhas em um esforço para desenhar o funil de conversão, ainda melhor. Finalmente, podemos controlar o resultado completo das nossas campanhas publicitárias (e poderíamos fazer isso para o relacionamento entre usuários e conteúdo não pago). A partir de agora será possível ver se os usuários que chegam desde determinadas campanhas além de clicar ou de se tornar um fã, executam as ações que consideramos: compartilhar, participar, comentar… Facebook continua com seus esforços para demonstrar que a sua metaplataforma oferece os maiores índices de engajamento e alcance.

Neste contexto, foi apresentado o espaço preferencial de Desenvolvedor de Marketing da empresa californiana, combinando suas certificações para desenvolvedores e profissionais de marketing. Também apresentaram a possibilidade da escuta direta através das “fanpages” de músicos e grupos.

Facebook se move, se move rápido. Já falta menos para maio ;-) e parece que continua apostando por modelos de publicidade que tratam de colocar o usuário no centro.