Tc-Nuestros-Proyectos

Lembro de quando o Territorio foi fundado. Ou melhor, lembro COMO ele foi fundado. Dois irmãos (de três) com vontade de mudar o mundo. Seu mundo. Muito esforço, muito risco, um pequeno ático na rua Cea Bermúdez de Madri um par de clientes fiéis. Um faturamento inicial de 24 mil euros e um primeiro Apple, para dominar a todos.

De vez em quando me aproximava desse terraço e nos assomávamos a Madri, compartilhando alguns dos sonhos de meus irmãos Mari Cruz e Juan Luis. Sentia o brilho de sua expressão, a emoção de suas palavras. Não era a única coisa que os diferenciava de mim. Meus ternos e gravatas cinzas de consultor combinavam pouco com aquele escritório “estiloso”. Tratava-se de vender design. Especialmente, design gráfico. Era apenas o começo.

I Era (1997-2001) – Os primeros clientes, a bolha da Internet, e o crash pontocom.

O que poderia ser denominado de pré-história do Tc foram um par anos de estudo de design gráfico suportado pelo sangue e suor de dois funcionários e sócios – e ao mesmo tempo irmãos. Dois recém-chegados que tiveram que aprender tudo daquela profissão cheia de software da Adobe e testes de impressão.

Foi então que me vi envolvido no grupo de e-Business de PwC Consulting (agora IBM). Pensando em aproveitar uma maré que via nascer, me esforcei para que Territorio crescesse nessa direção. Vários PowerPoint depois, surgiram os primeiros projetos de internet para Tc. E aquilo se desatou: mais de 20 pessoas integravam Territorio no ano 2000, com suculentos projetos com Telefónica, EresMas, Dragados, HP,… E uma sensação de euforia que só pôde ser estragada pela cruel realidade: uma bolha que chegou a seu limite de tensão superficial.

Como o bom visionário que demonstrei ser ao longo de minha carreira, entrei como sócio capitalista do Tc justo antes da explosão da bolha. Se não ia ficar rico, pelo menos estreitaria laços empresariais com meus irmãos. O “crash pontocom” arruinou os sonhos de muitas agências, mas não seria o caso de Territorio creativo.

II Era (01-06) – A consolidação.

Em seis meses, deixaram a agência dois terços da equipe. Foi uma hecatombe emocional. Eu via tudo de fora, protegido por meu salário e minha posição na consultora que se preparava para se desgarrar de seus irmão, os auditores. Aquilo me impressionou e, em 2002, aproveitando um projeto que começava ao meu lado, saí da IBM para fazer parte da equipe de DiceLaRed (posteriormente LastInfoo) como funcionário e sócio.

Os sócios do Tc decidiram continuar e se endividaram para isso. Consolidando sua posição no mercado recorrendo a seus clientes fiéis e dividindo sua rotina entre o on-line e o off-line. O fato de compartilhar escritórios e minha incursão no mundo da social media con DiceLaRed / LastInfoo – monitoração de fóruns on-line e de blogs, informes de marketing e software para criar blogs corporativos – aproximou o meu cotidiano ao dos meus irmãos. Em 2005, facilitei a criação deste blog, que marcaria a evolução posterior da agência e participamos de alguns projetos conjuntos. Tudo seguia um curso crescente e promissor.

Porém, no dia 31 de dezembro de 2006, a metade da equipe do Tc saiu de surpresa para seguir seus próprios projetos. Uma nova convulsão em uma agência que havia acabado de fechar as cicatrizes de 2001. Uma nova ocasião para mudar de era.


III Era (07-09) – O auge 2.0

Em janeiro de 2007, Esteban Trigos se incorpora como sócio e diretor de tecnologia e inicia a criação de um “dream tem” orientado pela criatividade e pelo design on-line. A marca Tc se consolida no contexto da interatividade e, o mais importante, do Social Media Marketing. O faturamento cresce – e os gastos também.

Da minha parte, sair da rotina de LastInfoo e chegar a Domestika  (antes Webactiva) em março de 2007, como diretor de operações, me afastou um pouco do Tc, mas meu deu a oportunidade de adquirir uma experiência muito interessante sobre como organizar a produção de serviços web. Em mais de uma ocasião fui tentado a deixar Domestika para me incorporar ao dia a dia do Territorio, mas por algumas razões parecia melhor não antecipar os acontecimentos.

Enquanto isso, o Tc continuava investindo pesado na reconversão à agência SMM, acreditando que o investimento seria rapidamente recuperado. Porém, mais uma vez os acontecimentos extornos jogaram contra os planos da agência. Começa a pior crise econômica da história desde 1929.

 

IV Era (2009-?) – Quem disse medo?

Hoje em dia o mundo das agência e do marketing em geral oscila bastante. As grande agências não sabem como ser reorganizar. Os diretores de marketing não sabem como continuar. A internet e a web 2.0 provocaram uma convulsão no mundo dos meios tradicionais – suporte por antonomásia da publicidade – e as apostas seguros de outrora se transformaram em buracos negros sem retorno. Apenas os consumidores saem reforçados. A crise da publicidade afeta igualmente os meios, anunciantes e agência que enfrentam uma drástica mudança nas regras do jogo da comunição corporativa e publicitária. Alguém levou nosso Monopólio e agora teríamos que nos conformar em encontrar um pouco de queijo.

A crise econômica também afeta a Tc, que viu mais uma vez sua equipe consolidade se desmontar. Mas novamente a ameaça se transforma em uma grande oportunidade para uma agência que tem muitos pontos fortes para se converter em um sólido candidato neste novo terreno de jogo que está se definindo. Territorio creativo superou uma grande crise e está navegando em outra, e tudo isso em um curto espaço de tempo. E agora está com uma marca bem posicionada e associada a “outra forma de fazer coisas” e com uma equipe recente em processo de formação, o que facilitará a configuração ideal para jogar conforme as novas regras do jogo.

A era do cliente

Com estas premissas e depois de um prolongado descanso de verão, me sinto emocionado por me incorporar ao Territorio como diretor de operações. Ponto final na época de “sócio nas sombras”. Momento de entrar e participar com 150%, renegociando minhas participações e subindo no barco familiar, no qual os três timoneiros esperam desfrutar uma emocionante travessia, para nos divertir, nos reinvetar, fazer amigos e construir equipes, enquanto geramos empregos e lucros.

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Da minha parte, espero poder trazer valor em duas ou três áreas principais. Por um lado, tomarei conta do controle da gestão e da organização da agência como responsável pelas operações e, por outro, levarei minha experiência em comunicação em novos meio com a qual espero ajudar a consolidar o conhecimento interno e a marca da agência.

Creio que o futuro do Tc não passa por se transformar em uma agencia SMM, mas sim em acertar na construção do modelo de agência do futuro. Um tipo de agência que não pode apenas contar com a criatividade como arma de combate, mas também fornecer um conhecimento profundo dos novos hábitos de consumo de informação e entretenimento. E que tem que se organizar para enfrentar projetos híbridos, de marketing e comunicação, inclassificáveis segundo padrões antigos. Uma agência onde as campanhas criativas se misturam com as horas faturadas de consultoria.

Ainda assim, esse filme tem apenas um protagonista: o cliente. É hora de deixar correr a fascinação pela tecnologia, pela última bobagem do Twitter, Google ou Facebook. Hora de esquecer de Cannes e da criatividade pela criatividade, do meio pelo meio.  Será o serviço ao Cliente, aos departamentos de comunicação que buscam na agência sua inspiração e seu aliado, e realmente escuta de forma sincera suas necessidades, os que guiarão as agências na busca por seu novo modelo. É a formação dessas novas frente onde acontecerão as batalhas da Comunicação (sem categorias e com C maiúsculo).

Começa uma novo ano escolar e uma nova era para Territorio. Se passaram 12 anos desde sua fundação e me sinto como um colegial com sapatos novos. Espero estar à altura do desafio.

Atualização 24 de junho
Não deixe de ler nossos números depois de nove meses e nossa visão em O Futuro do Social Media: Territorio 2012.


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